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Minha casa, esse menino,
Tem capão e tem capote,
Um fogão veio de lenha,
Dois jirau e quatro pote,
Tem panela de café,
Currimboque de rapé,
Maçaneta e cabeçote.

Quem já foi na minha casa
Viu terém, viu zanguizarra,
Viu fueiro e cantaleira,
Viu gamela e viu manjarra,
Lamparina de parede,
Dez torno de armar rede,
Três chuçai e três amarra.

Viu arreio de bezerro,
Caneco de tirar leite,
Inté péda de curisco
Servindo só de infeite,
Também caixão de costura,
Garajau e rapadura,
Almofada de alfinete.

Minha casa tem um banco
Pra mode o povo sentar,
Um abano de fogão,
Tem um fuso de fiá,
Maracá de cascavé,
De tudo tem a grané,
Qu’e pra quando precisar.

Uma mesa, um oratório,
Co’a imagi do sinhô,
Um baú pra guardar roupa,
Um cachorro caçador,
Também tem um valentão,
De machucar o feijão,
Pra matuto comedor.

Tem chapéu de todo jeito,
Tem de couro e tem de paia,
Pertence de tirar barba,
Com pince e cum navaia,
Argüida e palangana,
Bacurim e mucurana,
Tem cavaco e maravaia.

Uma espingarda de soca,
Um bisaco de caçar,
Tem porvarim e vareta,
Pro mode nada fartá,
Tem bucha de mororó,
Arremedo de mocó,
De punaré e preá.

Minha casa é sertaneja,
Tem de tudo que se pensa,
Tem barri e tem cangáia,
Um tacho véi na dispensa,
Na parede tem São João,
Meu Padim Frei Damião
Pra desterrá as ofensa.

Minha casa seu doto,
Num tem luxo como a sua,
Num tem parede pintada,
Como as casa lá da rua,
Num tem luz de energia,
Mas ela tem poesia,
Das madrugadas de lua.

Chico Morais

Axact

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